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Consultoria Financeira

Calculadora do pró-labore justo

Tem CNPJ e se paga o mínimo pra “economizar imposto”? Descubra quanto isso pode estar custando — e quanto você deveria estar tirando.

Como está hoje
R$ 1.621,00de pró-labore
Anexo VFator R: 20,3%
Imposto (DAS)
R$ 1.240,00
INSS (11%)
R$ 178,31
Vai pro governo
R$ 1.418,31
Se você se pagasse mais
R$ 2.240,00de pró-labore
Anexo IIIFator R: 28,0%
Imposto (DAS)
R$ 480,00
INSS (11%)
R$ 246,40
Vai pro governo
R$ 726,40

Você deixaria de pagar

R$ 8.303 por ano

R$ 691,91 por mês — só por se pagar mais. Para isso o seu pró-labore precisaria subir R$ 619,00, saindo de R$ 1.621,00 para R$ 2.240,00.

E esse dinheiro não some: continua sendo seu, só muda de bolso — de lucro para pró-labore. De quebra, ele entra no seu INSS e aumenta a sua aposentadoria, o seu auxílio-doença e o seu salário-maternidade.

E quanto desse faturamento deveria ser seu?

Faturando R$ 8.000,00 por mês, a divisão que se sustenta é esta — e o pote VOCÊ junta pró-labore e lucro:

Governo
8%
R$ 640,00
Empresa roda
14%
R$ 1.120,00
VOCÊ
55%
R$ 4.400,00
Crescer
13%
R$ 1.040,00
Colchão
10%
R$ 800,00

Ou seja: R$ 4.400,00 por mês caindo na sua conta pessoal. Conforme o faturamento sobe, esse percentual cai — mas o dinheiro no seu bolso sobe. É assim que se sai do lugar sem quebrar a empresa.

Estes valores são aproximados e servem pra te dar direção. A lei manda usar a folha e a receita dos últimos 12 meses (aqui a conta usa a sua média mensal), e o enquadramento depende do CNAE da sua empresa. Leve esta tela pra sua contadora e faça duas perguntas: “a minha atividade é tributada pelo Anexo V?” e “qual é o meu Fator R hoje?”. Tabelas de 2026, já com a isenção de IR até R$ 5.000.

Seu próximo passo

Você acabou de achar um vazamento. Imagina achar todos.

O imposto é um dos furos. Tem o dinheiro que entra e some, o que você não se paga, o que fica preso no cartão. Eu olho os seus três últimos meses de verdade e devolvo um plano com o seu nome nele.

A conta por extenso

Se pagar mais pode te fazerpagar menos imposto

Parece contraintuitivo, e é. Mas é a regra do Fator R, e ela vale pra boa parte de quem presta serviço no Simples Nacional. A referência rápida, com as tabelas de 2026:

Quanto o Fator R economiza por ano em cada faixa de faturamento
Fatura por mêsPró-labore de 28%Tributo no mínimoTributo em 28%Economia no ano
R$ 6.000R$ 1.680R$ 1.108R$ 545R$ 6.762
R$ 7.000R$ 1.960R$ 1.263R$ 636R$ 7.533
R$ 8.000R$ 2.240R$ 1.418R$ 726R$ 8.303
R$ 10.000R$ 2.800R$ 1.728R$ 908R$ 9.844
R$ 15.000R$ 4.200R$ 2.503R$ 1.362R$ 13.696

Considera serviço do Anexo V, sem funcionários, e compara o total que vai pro governo (imposto + INSS + IR) — não só o DAS, porque subir o pró-labore aumenta o INSS. Valores de referência: a lei usa os últimos 12 meses e o seu caso depende do CNAE.

E por que a tabela começa em R$ 6.000?

Porque abaixo de R$ 5.789 por mês o salário mínimo sozinho já dá os 28% — R$ 1.621 dividido por 0,28. Quem fatura menos que isso já está no Anexo III sem fazer nada, e não tem economia nenhuma pra buscar aqui. A armadilha do pró-labore mínimo começa exatamente quando o faturamento passa dessa marca, e ela cresce a cada real a mais que você fatura. É um problema que chega junto com o crescimento — e por isso pega tanta gente desprevenida.

Quanto do faturamento deveria ser seu

A divisão que se sustenta muda conforme a empresa cresce. Repare na última coluna: o percentual cai, o dinheiro sobe.

Divisão sugerida do faturamento por faixa, entre governo, empresa, sócia, crescimento e reserva
FaturamentoGovernoEmpresaVocêCrescerColchãoNo seu bolso
até R$ 5 mil8%12%72%5%3%R$ 3.600
R$ 5 a 7 mil8%13%64%8%7%R$ 4.480
R$ 7 a 10 mil8%14%55%13%10%R$ 5.500
R$ 10 a 15 mil8%15%50%17%10%R$ 7.500

O pote “você” junta pró-labore e lucro. E tem uma regra que protege a escada: ele nunca desce abaixo do seu custo de vida. Se a conta não fecha, o problema não é a divisão, é o faturamento ou o preço.

As perguntas que sempre chegam

Quanto de pró-labore eu devo tirar da minha empresa?

A resposta comum, de 10% a 12% do faturamento, quase nunca serve: em R$ 8.000 isso é R$ 960 por mês, e ninguém vive com isso. Uma divisão que se sustenta na faixa de R$ 7 mil a R$ 10 mil é: 8% pro governo, 14% pra empresa rodar, 55% pra você (pró-labore mais lucro), 13% pra crescer e 10% pra reserva. Conforme o faturamento sobe, o seu percentual cai, mas o dinheiro que chega no seu bolso sobe. O piso legal é um salário mínimo, R$ 1.621 em 2026.

Tirar o pró-labore mínimo economiza imposto?

Na maioria das empresas de serviço, é exatamente o contrário: sai mais caro. Existe uma regra chamada Fator R que joga a empresa do Anexo V (que começa em 15,5%) pro Anexo III (que começa em 6%) quando a folha, incluindo o seu pró-labore, chega a 28% do faturamento. Numa empresa que fatura R$ 8.000 por mês, se pagar R$ 1.621 custa R$ 1.418 de tributo no mês, e se pagar R$ 2.240 custa R$ 726. São R$ 8.303 de diferença por ano, a favor de quem se paga mais.

O que é o Fator R do Simples Nacional?

É a divisão da folha de pagamento dos últimos 12 meses pela receita bruta dos últimos 12 meses. Se der 28% ou mais, as atividades do Anexo V passam a ser tributadas pelo Anexo III, que é bem mais barato. O pró-labore do sócio conta como folha, e a folha de funcionários também. É por isso que aumentar o próprio pagamento pode reduzir o imposto da empresa.

Quais atividades entram no Fator R?

As de natureza intelectual, técnica ou especializada listadas no Anexo V: consultoria, marketing e publicidade, design, arquitetura, engenharia, psicologia, fisioterapia, tecnologia da informação, auditoria, jornalismo, entre outras. Comércio e indústria não entram, e alguns serviços já são Anexo III por natureza (nesses o Fator R não muda nada). Quem confirma o seu caso é a sua contadora, olhando o CNAE.

Qual a diferença entre pró-labore e distribuição de lucros?

O pró-labore é o pagamento pelo trabalho do sócio: é fixo, tem INSS de 11% e conta como folha pro Fator R. A distribuição de lucros é a sua parte no resultado da empresa: varia, não tem INSS e, desde 2026, é isenta de imposto de renda até R$ 50 mil por mês da mesma empresa pra mesma pessoa (acima disso tem retenção de 10% na fonte). Na prática você usa os dois: um pró-labore que dê conta do Fator R e da sua aposentadoria, e o lucro por cima.

Pró-labore paga imposto de renda?

Desde janeiro de 2026, com a Lei 15.270/2025, rendimento de até R$ 5.000 por mês é isento. Então pró-labore dentro dessa faixa não tem imposto de renda na fonte, só o INSS de 11%. Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 existe um desconto que vai diminuindo, e acima disso vale a tabela progressiva cheia.

Pró-labore baixo atrapalha a aposentadoria?

Atrapalha, e atrapalha antes da aposentadoria também. Pra quem tem CNPJ, o salário-maternidade é a média dos 12 últimos salários de contribuição e dura 120 dias: contribuindo sobre o mínimo você recebe o mínimo, e contribuindo sobre R$ 4.000 recebe perto disso, uma diferença de cerca de R$ 9.500 nos quatro meses. O auxílio por incapacidade segue a mesma lógica, com carência de 12 contribuições. Como o cálculo é da média de um ano, isso se planeja com antecedência.

Quanto eu preciso faturar por mês?

Some o que a sua casa custa com o que a sua empresa custa e divida por 0,69 (ou multiplique por 1,45). Se a casa custa R$ 4.400 e a empresa R$ 1.100, o seu faturamento mínimo é R$ 7.971. O 0,69 é o que sobra depois de reservar imposto, crescimento e colchão. Depois converta em clientes: se o seu serviço custa R$ 800, são dez clientes por mês. 'Preciso faturar mais' é ansiedade; um número é meta.

Sou MEI, quando preciso sair?

O teto do MEI é R$ 81 mil por ano, o que dá R$ 6.750 por mês. Se você passar em até 20% (até R$ 97.200), paga um DAS complementar sobre o excedente e sai do MEI em janeiro do ano seguinte. Se passar de 20%, o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do ano em curso e o ano inteiro é recalculado como ME no Simples, o que costuma ser uma conta pesada. A regra prática: três meses seguidos acima de R$ 6.750, converse com a contadora naquela semana.

Quantos dias de caixa a minha empresa precisa ter?

Divida o saldo da conta da empresa pelo custo fixo mensal dividido por 30. Com R$ 4.000 em caixa e R$ 1.100 de custo fixo, são 109 dias. Menos de 30 dias é zona de perigo, 60 é respirar e 90 é poder recusar cliente ruim e negociar melhor. A referência de mercado pra reserva empresarial é de 3 a 6 meses de custo fixo, e 12 meses se o negócio for muito sazonal.

Já sabe o número. E agora?

Saber quanto se pagar é o começo. O que costuma travar é o depois: dividir o dinheiro todo mês sem se perder, montar o colchão da empresa e parar de descobrir o resultado só quando o extrato acaba.

  • A consultoria — eu olho os seus três últimos meses de verdade e devolvo um plano com o seu nome.
  • Calculadora CLT × PJ — se você ainda está decidindo sair da carteira assinada, comece por ela.
  • Os materiais — se você prefere começar sozinha, no seu ritmo.